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Entenda a comunicação com gatos

Publicado em 04 de Jan de 2018 por Victoria Bassi Comentar

Linguagem dos gatos? Isso mesmo. Entenda o que o seu bigodudo está querendo te dizer!

Por Priscila Roque | Foto Shutterstock | Adaptação web Isis Fonseca

Comunicação com gatos

Para compreender a linguagem felina é preciso mais do que um olhar atento. A rotina e a proximidade com o pet também são itens fundamentais para ajudar a descobrir o que ele tem a falar.

“Nem todas as pessoas são capazes de interpretar os sinais corporais de um gato, principalmente aquelas que não têm intimidade com bichanos. Muitas acabam ficando com medo ou dando a ele a fama de ‘animal traiçoeiro’. O gato é mais silencioso, menos óbvio e, muitas vezes, menos interativo do que um cachorro”, explica Claudia Terzian, médica veterinária e adestradora da Cão Cidadão (SP).

Porém, engana-se quem pensa que eles não estão abertos à comunicação com os tutores. Um estudo publicado no ano passado pela revista acadêmica Animal Cognition revelou que esses animais reconhecem os seus donos por meio da voz.

Os pesquisadores observaram as reações de 20 gatos domésticos quando expostos a gravações que mesclavam estranhos e tutores chamando por seu nome. Os mascotes responderam mexendo as orelhas e a cabeça na direção da voz conhecida e, em alguns casos, ainda tiveram a dilatação da pupila – o que poderia indicar certo estímulo emocional.

Para que essa conexão entre o dono e seu felino possa ser enriquecida e se tornar mais clara, de forma que a relação seja mais saudável, é muito importante aprender a decifrar corretamente o comportamento dos bichanos.

Perceba os sinais do seu gato

São muitas as formas que os bigodudos utilizam para se comunicar conosco. O tom do miado, os grunhidos, a postura corporal e até a posição das orelhas e dos bigodes contêm signifi cados.

“Eles ainda podem piscar de maneira lenta, morder, lamber... Se o tutor souber que alguns desses sinais são naturais, fica mais fácil recompensar e responder de modo adequado”, ressalta Naila Fukimoto, também adestradora da Cão Cidadão (SP). Outro ponto notório é a maneira como esses animais fazem uso de diversos cheiros para interagirem.

“O odor também é um meio de comunicação a que eles recorrem muito. Um exemplo disso é quando o gato se ‘esfrega’ em um objeto ou uma pessoa. Dessa forma, ele deposita seus feromônios, deixando uma marca. Nos lugares em que estão essas marcas, o felino se sente seguro”, comenta Shirleyne Melo Vilanova, médica veterinária do Hospital Veterinário Pompéia, de São Paulo (SP).

Gato mia

Algumas vocalizações são bastante comuns entre os bichanos, mas é preciso levar em conta o momento em que elas surgem, a entonação e o conjunto dessas características associado ao seu comportamento.

“Isso pode fazer com que um dono atento perceba nuances sutis de mudanças de atitude. É possível, por exemplo, que ele reconheça seu animal entre vários indivíduos vocalizando simultaneamente, e mais, identifique alterações comportamentais pelas difrenciações do seu miado”, relata Gelson Genaro, veterinário especialista em fisiologia e comportamento animal.

A veterinária Shirleyne acrescenta que “os hábitos vocais dos felinos são individuais, como no ser humano e em outros mascotes, ou seja, existem gatos que dificilmente miam e outros muito ‘falantes’”. Entretanto, há uma base comum a quase todos os bichanos. 

Claudia Terzian explica: “Preste muita atenção na duração e no tipo dos miados. Todos nós conhecemos o som tradicional deles".

A especialista ensina: “Miados curtinhos ou tremidos vindos dos bichanos costumam ser bastante amistosos. O básico ronronar (salvo raríssimas exceções) geralmente ocorre em situações prazerosas e confortáveis. Em contrapartida, os rosnados, miados longos, distorcidos e sibilos (os famosos ‘fuuuus’) podem ser sinais de medo ou avisos de que ele está prestes a atacar”.

Falando com eles

Há diversas formas de dizer o que você quer de uma maneira que o gatinho entenda. “Gritar e falar muito alto pode assustá-lo. O ideal é esperar que ele venha, te cheire e sinta confiança”, diz Naila Fukimoto, que complementa: “Quando o bichano te dá uma cabeçada na perna ou na mão, por exemplo, faça força contrária. Essa é uma forma de cumprimentá-lo do modo que ele cumprimentaria seus amigos felinos".

O tom da voz baixo, carinhoso e aliado a sons repetitivos é fundamental. “Outra possibilidade de comunicação é o toque suave, mas varia de animal para animal. Alguns não toleram contato em determinadas regiões do corpo, mas a cabeça, o queixo e a base da cauda são locais em que, normalmente, aceitam ser acariciados”, revela Gelson Genaro.

Erros mais comuns

O gato é diferente do cão em diversos aspectos, portanto, tratá-los da mesma forma é um equívoco. “É interessante que os donos aprendam que alguns comportamentos são normais e naturais na comunicação felina”, comenta Naila Fukimoto.

Quem tem um bichano em casa certamente já recebeu um presentinho inusitado, como uma barata, por exemplo. Repreendê-lo causa certo desconforto e confusão em sua mente.

“É um erro julgar um dado comportamento de acordo com os valores humanos e puni-lo. Evidentemente que o dono não precisa brincar com a barata, mas deve entender que o gato é um caçador e isso está em sua natureza”, ressalta Gelson.

Para Shirleyne, “uma forma de tentar substituir esse hábito é usar brinquedos que motivem a caça, como os ratinhos que se movimentam”. As atitudes felinas durante uma brincadeira devem ser relevadas. “É muito importante analisar o contexto da conduta. Correr e dar um tapinha no outro gato ou cão da casa, por exemplo, é sinal de amizade, embora pareça um ataque”, esclarece Claudia Terzian.

Mas como saber se os gatos estão brincando ou brigando? “Depois da brincadeira, aqueles que são amigos exibem comportamentos amigáveis, como deitar encostados, lamber um ao outro e correr juntos”, responde Claudia.

Comunicação sem ruídos

Promover um espaço harmonioso, sem estresse e com atividades que conectem o bichano aos membros da família faz com que essa troca seja mútua. “O uso de feromônios no ambiente também pode ajudar, pois dá a ele a sensação de bem-estar e segurança”, aponta Shirleyne.

“Cumprimentá-lo da forma que ele sabe, piscar lentamente para o seu gato, deixar ele te cheirar, brincar de um jeito que o peludo expresse seus instintos ou até conversar quando ele começar a miar são maneiras de melhorar a comunicação”, indica Naila.

Já as broncas podem ser recebidas de forma negativa por alguns animais e, assim, causar um desgaste no relacionamento entre o gato e seu tutor. A veterinária Claudia Terzian aconselha a chamar a atenção de maneira indireta ou despersonalizada, fazendo um barulho ou borrifando um pouco de água sem nem olhar para o bigodudo.

Entretanto, o essencial é a afinidade. “Se o proprietário tiver carinho por seu animal, ambos irão desenvolver uma sintonia fina entre si, ajustando-se e estabelecendo uma forma de comunicação eficiente”, completa Gelson Genaro.

Adaptado de Revista Meu Pet Ed. 26

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