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Lambedura compulsiva em cães e gatos

Publicado em 15 de Dec de 2017 por Victoria Bassi Comentar

Quando a lambida vira uma compulsão, o corpo do pet sofre com feridas.

Por Camila Rodrigues | Foto Luz Gustavo Gonçalves | Adptação web Isis Fonseca

Lambedura compulsiva

Frank é um carente (e fofo) Maltês, de 9 anos de idade, que não consegue conter a lambedura excessiva nas patas quando não recebe atenção dos donos.

“O Frank tem costume de se lamber mais quando meu marido está em casa, mas não pode brincar com ele. Nunca sabemos o que fazer nessa situação”, conta a empresária ThaísPosselt Furlan, de São Paulo (SP). 

Assim como Thaís, muitos tutores não sabem a razão desse comportamento tão delicado, a compulsão.

Para Ricardo Fontão de Pauli, comportamentalistada Comporvet Medicina Veterinária Comportamental,em Florianópolis (SC), essa atitude surge como uma “consequência de manter os peludos confinados ou sem estímulos, mentais e físicos, durante sua criação”, explica.

No entanto, a adestradora Tarsis Ramão, da empresa Cão Cidadão, de São Paulo (SP), afirma que, além disso, cachorros com personalidade mais enérgica e bem ativa, como os fofos Golden Retriever, Border Collieb e Labrador, possuem uma predisposição genética para ter comportamentos compulsivos, não só a lambedura, como correr atrás do rabo ou bater a cabeça na parede.

“Os animais, principalmente os cachorros, têm uma força hereditária que, se não for bem utilizada, pode gerar compulsões e outros problemas comportamentais. Porém, o mais importante é não rotular”, enfatiza.

Comportamento natural

Sendo uma ação natural, a lambida está presente desde a higienização dos filhotes, feita pela mãe, até como demonstração de afeto, os famosos beijinhos molhados.

“Quando direcionada, é uma forma de limpeza e faz parte do repertório higiênico normal dos cães. Esse hábito, em nível saudável, pode ajudar a prevenir coceiras e odores”, explica Joice Peruzzi, comportamentalista animal, da Pet Estar (RS).

Por isso, quando o pet começa a reproduzir esse comportamento de maneira repetitiva, o ideal é não brigar ou castigar, como se fosse culpa do próprio peludo.

Mas sim educá-lo com treinos certeiros e encarar uma mudança de postura séria, para que ele não dê continuidade a esse hábito, que pode causar transtornos psicológicos e lesões perigosas pelo corpo todo.

Primeiros sinais

De acordo com Mauro Lantzman, médico veterinário, especialista em comportamento animal (SP), há alguns meios de descobrir se o peludo está passando dos limites.

“Quando o cachorro se lambe em excesso, a coloração dos pelos sofre uma mudança. Isso acontece devido à acidez contida na saliva, que deixa a pelagem na cor de ferrugem”, esclarece.

Certos aspectos psicológicos também contribuem para a manifestação dessa atitude no animal.

“Cães que tiveram trauma físico, como fraturas ou fissuras, podem continuar lambendo a região afetada mesmo depois da sua recuperação, por aprendizado”, complementa Joice.

Do texto "Lambe-lambe que machuca" da Revista Meu Pet Ed. 24.

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