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Tudo sobre o falcão-peregrino

Publicado em 25 de Nov de 2015 por Marília Alencar Comentar

O ágil e perspicaz falcão-peregrino. A ave de rapina pode ser treinada para ajudar na preservação de espécies e até para controle de voos

Texto Camila Rodrigues / Foto: Shutterstock

Falcão-peregrino

Foto: Shutterstock

O falcão-peregrino é uma das aves mais rápidas do mundo, alcançando, em média, 385 km/h durante a caça. Além das suas habilidades de voo e perseguição, o animal possui lustros aspenas na coloração azul-acinzentada com listras escuras, cauda e barriga esbranquiçadas, além de uma inteligência e instinto incríveis.

Com tantos atrativos, o falcão há muitos séculos é estrela de uma arte chamada falcoaria. Desenvolvida pelos povos antigos como uma forma de obter alimento, a técnica foi aperfeiçoada e hoje consiste em criar e treinar falcões e outras aves de rapina para a caça e manejo das aves, preservação e reabilitação de espécies, educação ambiental e até para ajudar a aviação. Ou seja, uma relação de troca.

VÁ COM CALMA

A atividade não pode ser feita por qualquer um: os falcões são criados por treinadores especializados que tentam preservar as características mais fortes dessas aves. Para se tornar um falcoeiro, é preciso se dedicar e dominar uma série de conhecimentos sobre a ave, ecologia e técnicas de treinamento. E, antes de tudo, precisa adquirir um exemplar de criador autorizado pelo IBAMA. Isso porque o bicho é visado pelos traficantes de animais, que o vendem ilegalmente.

E se você está pensando seriamente em realizar a atividade, avalie com cuidado. Esses animais têm garras e bico afiados, além de serem muito espertos e terem o instinto aflorado para a caça, como dito. “Geralmente são criados para a falcoaria, e não como pets. Em outros países é comum encontrá-los com grandes criadores, sendo limitada a sua interação”, explica Carlos Alexandre Pessoa, veterinário especializado em animais exóticos.

Ave ágil

Foto: Pinterest/Reprodução 

INTERAÇÃO SEGURA

Como não são animais de estimação, para começar o treinamento, os responsáveis devem tomar precauções, como o amansamento, considerado indispensável para um bom convívio. “Para um processo bem-sucedido, o falcoeiro deve passar o maior tempo com a ave no punho, chegando, em alguns casos, a deixar o animal dormir sobre a luva, no seu braço”, comenta João Paulo Diogo Santos, presidente da Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina (ABFPAR). E não hesite em se filiar a clubes de falcoaria, pois a atividade envolve riscos e precisa de muita dedicação e pesquisa.

AMBIENTE CONFORTÁVEL

Como se trata de uma ave de médio porte (tem de 80 a 115 cm de envergadura), os tutores devem tomar cuidado com suas instalações. Existem medidas e materiais corretos para a criação desse bicho: o viveiro pode ser feito de madeira e telas de arame, com diâmetro de 2 x 2 m, para proporcionar mais conforto e segurança. Mesmo com essas dicas, o veterinário Pessoa faz uma alerta para os donos: “Se o viveiro não estiver adequado, ele pode desenvolver sérios problemas de saúde, como pododermatite, que são lesões nas patas, por utilizar poleiros e pisos inadequados”, enfatiza.

DIETA ESPECIAL

Em seu habitat natural, o falcão se alimenta de outras aves, como o pombo-da-rocha. Mas, com a domesticação e o treinamento desse animal, sua dieta foi adaptada de uma forma balanceada, para que ele não perca nutrientes necessários. “Pombos-domésticos, pardais, insetos, pequenos mamíferos (ratos e outros roedores), morcegos e carne moída podem ser oferecidos”, indica o especialista.

CUIDADOS ESSENCIAIS

Fora o viveiro, os criadores precisam cumprir um check list rigoroso, principalmente quando o assunto é saúde: “Levar duas vezes por ano a um veterinário especializado em aves, para fazer exames clínicos e laboratoriais – sangue, fezes, radiografias e, até mesmo, utrassonografias – é fundamental”, ressalta o veterinário. Outro cuidado é com a higiene do bicho. “O viveiro deve ser limpo diariamente, incluindo vasilhas”, finaliza Pessoa.

Revista Meu Pet / Edição 36

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