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Voluntários usam próteses 3D para salvar vidas de animais

Publicado em 25 de Jan de 2017 por Raíssa Jorgenfelth Comentar

Uma equipe de voluntários brasileiros realizam cirurgias para reabilitação de animais que perderam parte do seu corpo. Confira!

  • A prótese de Freddy foi construída em quatro partes e recebeu pintura que se assemelha à cor original do animal

  • As etapas de criação da prótese da Freddy

  • O resultado final ficou muito parecido com um casco original

Texto: Bruna Gonçalves | Adaptação web: Raíssa Jorgenfelth | Foto: Divulgação

A jabota fêmea Freddy perdeu parte do casco em um acidente florestal e

ganhou uma próteses 3D desenvolvida pelo Animal Avengers

Seis profissionais – quatro veterinários, um cirurgião-dentista e um designer 3D – unidos por uma única causa: salvar animais. A equipe de voluntários Animal Avengers – em tradução livre, Vingadores Animais, referência ao grupo de super-heróis dos quadrinhos da Marvel – realiza voluntariamente cirurgias para reabilitação de animais que perderam parte do seu corpo. Para isso, o grupo poderoso utiliza próteses personalizadas, projetadas com tecnologia de computação gráfica e impressas em 3D, com as dimensões e características da parte lesionada. “Nosso foco é fazer o bem juntando as habilidades e conhecimento de cada um, como os personagens dos Vingadores”, explica o veterinário Sérgio Camargo, especialistaem odontologia veterinária.


União de habilidadesdiferentes, aliada à compaixão, faz a força

 Juntos desde 2015, os especialistas já contabilizam 11 atendimentos no portfólio: um jabuti fêmea (Freddy), dois tucanos-de-bico-verde (Zequinhae Bicolino), dois tucanos-toco (Zazu ePirata), duas araras-azuis (Gigi e Gisele), uma gansa (Vitória), um araçari (Tuc-Tuc, ave semelhante ao tucano), um papagaio e uma cachorra (Hanna).

A ideia surgiu com o caso de Freddy, a jabota. O animal perdeu cerca de 80%do casco em um incêndio florestal, em Brasília, em 2015, e, depois de muitos estudos, os parceiros confeccionaram uma prótese 3D plástica no formato real, que ainda recebeu pintura realística reproduzindo as cores do bicho. O resultado ganhou destaque no mundo!

“Freddy estava em estado crítico, como corpo totalmente queimado, pneumonia, desidratação, além de não alimentar-se sozinha. Ela passou por um intenso tratamento, que durou quase um ano. Depois que ficou livre de infecções, teve lesões cicatrizadas e voltou a comer sozinha, demos início à etapa de projeto e estudo da confecção da prótese, composta por quatro partes que se encaixam”, relata Rodrigo Rabello, veterinário especialista em clínica médica e cirurgia em animais selvagens e diretor do hospital veterinário do Zoológicode Brasília.


Voluntários criativos não recebem ajuda financeira para as próteses

 Apesar da ação nobre e projeção de mídia, os especialistas têm suprido do próprio bolso as necessidades do trabalho. No entanto, agradecem o apoio de instituições e fornecedores que cedem materiais cirúrgicos, odontológicos, infraestrutura de hospital veterinário e acesso a tecnologias avançadas. “Temos a ambição de que possamos ter um laboratório ambulante, dotado de todasas condições para exercer os trabalhos, com tecnologia de ponta para executar as cirurgias e conectividade permanente para viajar o país disponibilizando a realidade deste projeto”, ressalta Camargo.


Vários critérios apontam sea tecnologia vai mesmo darqualidade de vida ao animal

 Divididos entre São Paulo, Brasília e Mato Grosso, eles contam que as necessidades chegam de toda parte, por meio dos centros de triagem de animais, faculdades, zoológicos, clínicas particulares e até mesmo de pedidos pelas redes sociais. Quando recebem o encaminhamento – mesmo distantes– todos participam das discussões do caso. A maior parte dos atendimentos é de aves, pois os traumas em bicos têm uma incidência maior. Nem sempre o animal que perdeu parte de um membro do corpo precisa necessariamente de uma prótese. “Cada um passa por uma avaliação clínica, além de um estudo a respeito da necessidade ou viabilidade da prótese 3D. Costumamos questionar se o bicho, apesar da lesão, é capaz de se alimentare se locomover sozinho. É preciso aferir o grau de comprometimento da lesão e até que ponto isso vai afetar a qualidadede vida dele”, explica Rabello. Quando a prótese 3D é a saída, inicia-se a etapa da moldagem da lesão em gesso e, em seguida, o material é fotografado para ser encaminhado ao designer. Depois disso o molde digital ideal é enviado para a impressora 3D. O tempo de impressão varia de acordo com o tamanho da prótese, para modelos menores chega a levar deduas a quatro horas, já em casos mais complexos, como as quatro partes do casco da jabota Freddy, são necessárias quase 200 horas. “Como costuma ter perda de qualidade, o acabamento é fundamental “, afirma Paulo Miamoto, cirurgião-dentista. A estética também é importante, pois a adaptação do animal e sua aceitação num grupo poderão ser afetadas se o material não tiver cores e padrões semelhantes aos originais.

 

Revista Meu Pet | Ed. 46

 

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