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Saiba mais sobre a displasia coxofemoral

Publicado em 20 de Oct de 2014 por Fernanda Ruiz Comentar

Conheça a displasia coxofemoral, doença ortopédica hereditária que atinge as articulações do quadril do cachorro

Texto: Bruna Gonçalves/ Adaptação: Fernanda Ruiz 

Karusa é uma pet da raça Labrador e sofre de displasia coxofemoral 

Foto: Arquivo Pessoal

Karusna, 13 anos, da raça Labrador, sempre foi muito brincalhona e agitada. Mas há três anos sua dona, a economista Katia Trevizan Conconi, de São Bernardo do Campo (SP), começou a notar mudanças no seu comportamento. A cachorra passou a mancar ao caminhar, fazer muito esforço ao levantar como se estivesse com dor e a reclamar das caminhadas – que antes eram adoradas – das viagens rotineiras que a família faz. Katia, então, levou a cadela em sua veterinária de confiança, que a examinou e pediu uma radiografia. Logo veio o diagnóstico da displasia coxofemoral, doença que provoca má formação na articulação do quadril. “Foram receitados medicamentos e mesmo assim a melhora não foi signifi cativa. Como a Karusna já é velhinha, não é recomendado fazer cirurgia”, explica. Por conta disso, foi indicada a acupuntura, que tem ajudado muito no problema.

“Além disso, controlo a alimentação, as brincadeiras e colocamos tapete de borracha em alguns cômodos sobre o piso liso para facilitar a caminhada.” A doença pode acometer todos os cães e atingir as duas articulações do quadril. “Imagine que o animal está passando por um crescimento ósseo rápido e o mesmo não acontece com a musculatura. Essa hipotrofia (perda da força ou do volume muscular do corpo) favorece uma frouxidão e instabilidade no encaixe entre a cabeça do fêmur e o acetébulo, estrutura óssea localizada no quadril, ocasionando dor e dificuldade de locomoção”, esclarece Marja Tani Catelan, veterinária do Centro Médico Veterinário Vida Animal. A enfermidade, que diminui a qualidade de vida dos animais e, como dito, causa-lhes dor e dificulta a sua locomoção, é genética. Porém, há outros fatores que podem agravar a doença como a obesidade, o acesso a pisos lisos ou escorregadios e alguns hábitos ativos como de saltar.

  IDADES ATINGIDAS

É preciso ficar atento às mudanças de comportamento do pet para identificar a doença. Em alguns casos, os sintomas surgem a partir dos 5meses do animal. Em outros, a displasia pode se manifestar após o terceiro ano. No entanto, muitos cães podem ter uma vida normal, só tendo problemas na velhice, quando o desgaste se torna maior em função da idade do animal – e por isso o mal é também associado aos cães idosos. O principal sinal é a dor, que pode ser percebida pelos gemidos na hora da locomoção e de realizar outras atividades simples, além de dificuldade de levantar após um período de repouso, restrição de movimentos, preferência por ficar sentado a permanecer em pé, manqueira e “caminhar rebolado”. O mal ainda acarreta outros sintomas, como estalos frequentes nas articulações do animal, atrofia muscular e muita falta de apetite, que pode indicar dores intensas.

 

HORA DO DIAGNÓSTICO

Caso você perceba qualquer sinal citado acima, é preciso le­var o seu mascote ao médico ve­terinário. Depois de observar o animal em pé e ao andar, o espe­cialista deve fazer uma radiografia da articulação coxofemoral para determinar o diagnóstico.

A displasia coxofemoral tem cinco categorias de acordo com a gravidade, que vai do peludo sem displasia até o nível severo.

Caso o animal seja displásico, será iniciado o tratamento, que dependerá do grau da gravida­de. O exame deverá ser repetido periodicamente para acompanhar a evolução do problema. Já se o teste der negativo e o animal ainda for filhote, a recomendação é refa­zer o exame quando ele for adulto.

Além do método tradicional, existe outro exame radiográfico chamado PennHip (desenvolvido na Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos) que serve para diagnosticar em filhotes (a partir de 4 meses) a probabilidade de apre­sentar a doença. “Será calculado o índice de frouxidão da articulação do quadril. Quanto mais frouxo, maior é a chance de desenvol­ver. Além disso, dependendo do diagnóstico é possível fazer uma intervenção cirúrgica para diminuir a tendência”, explica Wanderley Severo do Santos, veterinário da Associação Brasileira de Ortopedia e Traumatologia Veterinária. Essa avaliação é indicada para quem comprar um filhote e quiser desco­brir se terá ou não a doença.

MELHOR QUALIDADE DE VIDA

Assim que for detectada a doença, o veterinário irá indicar o melhor tratamento para aliviar os sintomas apresentados. “Uso de anti-inflamatórios para aliviar a dor, exercícios moderados como natação e caminhada leve, acupun­tura, fisioterapia e cuidado com a alimentação para não ganhar mui­to peso são algumas alternativas”, afirma o veterinário Santos.

Em outros casos, quando a en­fermidade é mais severa, o trata­mento cirúrgico pode ser a melhor maneira de amenizar o problema. Existem algumas técnicas preven­tivas e corretivas, como coloca­ção de placas e prótese total de quadril.

Antes de indicar o procedimen­to, porém, o veterinário deverá levar em consideração diversos fatores importantes como, a idade, grau da lesão, resposta a medica­mentos além das condições gerais de saúde da vida inteira do animal.

Como a doença é uma altera­ção genética, não existe cura – e nem risco de morte. O importante é fazer o controle com acompanha­mento médico para proporcionar qualidade de vida ao seu amigo. Fatores nutricionais e ambientais podem contribuir para a evolução da doença. Por isso, é essencial que o seu companheiro não tenha acesso a pisos escorregadios ou ásperos para não forçar a articula­ção. Sem contar que o sobrepeso e o excesso de exercício também podem agravar esse quadro.

 

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