Newsletter

a aa
13 12

Tratamentos para a epilepsia em cães e gatos

Publicado em 13 de Dec de 2017 por Luana Zanolini Comentar

A epilepsia é um dos transtornos neurológicos mais frequentes em pequenos animais, afetando tanto gatos como cachorros. Conheça agora como é realizado os tratamentos da doença

Texto Matheus Steinmeier | Adaptação Isis Fonseca | Foto Shutterstock

Tratamentos para a epilepsia em cães e gatos

A epilepsia é um dos transtornos neurológicos mais frequentes em pequenos animais, afetando tanto gatos como cachorros.

Ela é tão comum em nossos pets quanto nos humanos e, ainda assim, continua sendo um mistério para muita gente.

Essa doença se caracteriza por crises convulsivas, as famosas convulsões, que podem se manifestar de forma fraca ou forte e são marcadas por movimentos violentose involuntários, o que as torna chocantes aos olhos de quem não está habituado.

O animal costuma debater-se durante esse período, podendo salivar, emitir sons ou mesmo urinar e defecar.

Tudo isso acontece por causa de um descontrole na atividade dos neurônios. É como se esses “fios” que constituem o cérebro do nosso companheiro entrassem em curto-circuito, causando uma sobrecarga de estímulos.

Tipos e causas da epilepsia

Quando falamos em epilepsia, é fundamental entender quala causa das crises, um diagnóstico que não precisa ser complicado e que faz toda a diferença.

Mônica Vicky Bahr Arias, veterinária e coordenadora do Projeto Integrado de Ensino e Pesquisa Diagnóstico e Tratamento de Doenças Neurológica sem Cães e Gatos, explica que há duas possibilidades:

“As causas podem ser genéticas, fazendo com que o animal seja considerado como epiléptico verdadeiro, ou podem ser adquiridasem decorrência de inflamações ou infecções no cérebro e traumas cranianos. Na segunda hipótese a epilepsia é secundária”.

No caso da epilepsia verdadeira, originada de problemas genéticos, há uma incidência maior em cães do que em gatos, mas os felinos não são imunes ao transtorno.

Mesmo entre os cachorros há grupos de maior risco, como animais de raças puras, como Pastor Alemão, São Bernardo, Collie, Setters, Labrador, Cockers etc. Entretanto, vale lembrar que esse não é um problema restrito às raças.

Agilidade e cuidado

Como as crises convulsivas podem indicar doenças sérias, um diagnóstico ágil e certeiro é fundamental.

Para isso, deve-se levar em conta a raça, a idade de aparecimento das convulsões e a presença de outros sinais clínicos.

Mônica lembra: “É importante saber se houve contato com produtos tóxicos, se o animal é vacinado, se come carne crua e se outros bichos da casa também apresentam alguma alteração. Se possível, é interessante saber ainda sobre os parentes do pet”.

Outra coisa que pode auxiliar o médico veterinário em seu diagnóstico, é um vídeo gravado pelo proprietário no momento da convulsão.

A vida continua

Depois de identificadas as razões da epilepsia, seja no cachorro ou no gato, começa a busca pelo tratamento ideal.

Alex Adeodato, veterinário com especialização em neurologia e membro-fundador e conselheiro da Sociedade Brasileira de Neurologia Veterinária, indica que o tratamento da epilepsia secundária (também conhecida como sintomática) depende fundamentalmente de sua causa.

“Ao lidarmos com epilepsias sintomáticas ou reativas, temos necessariamente de abordar o motivo das crises. É inútil tentar controlar as crises de um paciente com um tumor cerebral ou com hipoglicemia somente com medicações antiepilépticas”, explica Alex.

Na epilepsia verdadeira, por sua vez, o tratamento acontece por meio de medicamentos antiepiléticos. Não há cura para a doença, somente o controle das crises e o dono deve ter consciência de que seu amigo vai precisar tomar a medicação pelo resto da vida.

“O início do tratamento é mais trabalhoso, mas, em geral, após essa fase o animal deve ser avaliado a cada quatro ou seis meses. Faz-se um check-up para verificar se os medicamentos não estão causando problemas, principalmente no fígado, e nova medição da concentração do medicamento no sangue para ajuste da dose”, descreve Mônica Vicky Bahr Arias, veterinária e coordenadora do Projeto Integrado de Ensino e Pesquisa Diagnóstico e Tratamento de Doenças Neurológicas em Cães e Gatos.

Ela também afirma que a esterilização é recomendada nesses quadros, já que, além de a doença ser hereditária, existem relações entre a ocorrência das crises e a atividade hormonal.

Respeie as orientações

Cabe ao dono seguir à risca as recomendações do veterinário e não interromper a medicação, mesmo que no início do tratamento o pet apresente efeitos colaterais ou demore a mostrar resultados. Mônica explica que o remédio pode levar de duas semanas a dois meses para começar a fazer efeito.

Sempre juntos

Mesmo nos casos de epilepsia verdadeira, não há a indicação de eutanásia. Alex conta que, com um bom tratamento, “99% dos pets ficam bem controlados”.

Se por um lado é um alívio saber que você pode ter seu amigo sempre ao seu lado, por outro, a epilepsia demanda cuidados especiais que exigem dedicação e rotinas de exames para avaliação do tratamento, mas não é um bicho de sete cabeças.

A recompensa desse pequeno sacrifício todo mundo já conhece: é a gratidão pura e eterna que só nossos companheiros de quatro patas são capazes de oferecer.

Revista Meu Pet | Ed.15

Comente!