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Você sabia que brincar melhora a saúde do seu cão?

Publicado em 05 de Jan de 2018 por Victoria Bassi Comentar

Conheça a história da Cacau, a mestiça de Pit Bull que teve uma mudança na sua saúde após começar a se exercitar com brincadeiras!

Por Camila Rodrigues | Foto Luiz Gustavo Gonçalves | Adaptação web Isis Fonseca

brincar melhora a saúde do cão

Cachorros adoram brincar! Isso é uma unanimidade entre os peludos. Mas você sabia que algumas brincadeiras podem ajudar o seu companheiro a ter uma vida mais saudável e feliz?

Segundo a médica veterinária Joice Peruzzi, especialista em comportamento animal, não importa o tipo de atividade, “a melhor brincadeira é aquela em que o cão é estimulado a se exercitar. Certos animais adoram correr atrás de bolinha, enquanto outros preferem cabo de guerra. Devemos respeitar a vontade do bicho e suas limitações, de acordo coma faixa etária e condição”.

Saúde para brincar

Para Juliana Gervazoni Bordin, auxiliar de Departamento Pessoal, de São Paulo-SP, as brincadeiras são essenciais para a qualidadede vida da sua peluda, a Cacau, uma mestiça de Pit Bull de 2 anos e 6 meses.

Durante uma aula de adestramento, Juliana descobriu que sua cadela tinha displasia coxofemoral – degeneração da articulação da bacia e da cabeça do fêmur – e seria preciso operar para corrigir esse problema motor.

Mesmo depois de enfrentar dois processos cirúrgicos, Cacau não ficou parada. “Ela adora brincar com meu gato e com seus brinquedos, principalmente bola e aqueles com corda”, diz Juliana sobre sua companheira, que só fica receosa quando tem cachorros maiores no meio da folia.

Aprendizado e bem-estar

Quando filhotes, os animais, instintivamente, demonstram os primeiros sinais de interação com seu grupo, seja com cachorros da mesma ninhada ou com a própria mãe.

Durante o processo de aprendizagem, alguns comportamentos serão a base das brincadeiras que vão acompanhá-los por toda a vida. Correr, morder, puxar e saltar. Todos esses comandos básicos se desenvolvem, ao passar do tempo, e viram jogos.

Além de colaborar para o desenvolvimento cognitivo do cão (raciocínio, atenção, memória etc.), a brincadeira pode ser uma grande aliada na busca por uma vida mais saudável.

Pensando no bem-estar de Cacau, Juliana buscou auxílio do adestrador Richardson Zago, da Zago Adestramento (SP), para treinar sua mascote e deixá-la mais tranquila. “Resolvi procurar um adestrador porque ela era muito bruta para brincar, havia pulado e derrubado minha sobrinha, pulava o portãozinho que fica na porta que seria o limite para ela não entrar em casa, atormentava meus dois gatos, não sabia andar com a guia, ficava travando o caminho todo e precisávamos pegá-la no colo”, conta.

Para a veterinária, a decisão de colocar Cacau para fazer uma atividade em forma de treino foi certeira e ótima para o seu desenvolvimento no meio de outras pessoas. “Por meio da brincadeira o cão entende melhor o comportamento social de sua espécie e aprende a se comunicar. Brincar é importante para o vínculo com os tutores e para o desenvolvimento cognitivo do cão”, comenta Joice Peruzzi.

Como começar?

De acordo com Joice, podemos utilizar alguns acessórios para incrementar as atividades feitas com os animais de estimação. “Use brinquedos durante as interações com o cachorro, especialmente com filhotes, para não estimular aquelas mordidinhas nas mãos”, ensina a especialista.

Já para o adestrador Zago, temos de respeitar o tamanho e o potencial do cão, bem como o do tutor, durante as atividades para que não ocorram acidentes nem frustração por parte de ambos.

“Não é aconselhável brincar de cabo de guerra, ou permitir que o cão fique pulando ou mordendo, nem como brincadeira. Não é interessante que haja rosnado nas atividades”, indica. Brincadeiras que envolvem provocações – por parte do dono –, como lutar ou roubar comida, podem incentivar um comportamento violento e confundir o seu companheiro.

“É comum brincarmos colocando o rosto na cara do cachorro, mas isso pode ser entendido de forma diferente e ocasionar mordidas e machucados”, diz Zago, lembrando em seguida que o momento da brincadeira deve servir para ajudar no desenvolvimento do animal, não para estimular uma conduta agressiva.

Ainda de acordo com o adestrador, as brincadeiras têm o intuito de favorecer “a força, agilidade, resolução de problemas, fuga de perigo, liderança de tutor (e a obediência do pet) e defesa”.

Cachorro x Crianças

Assim como os cães, toda criança adora brincar. Mas como fazer para que essa interação seja feita de maneira saudável e sem medo? Os pais têm de ensinar a seus filhos que qualquer animal deve ser respeitado, e por isso comportamentos como puxar o rabo ou pelos e pegar o pet contra a sua vontade estão proibidos, já que podem causar mal-estar e atitudes impulsivas, como morder para se proteger.

Segundo Joice, “toda interação entre cães e crianças precisa ser supervisionada. O animal deve associar a criança somente a coisas boas e nunca ser repreendido na sua presença; em vez disso, deve ser recompensado sempre que estiver bem comportado perto dela”, ensina.

Depois que recebeu treinamento adequado, Cacau mantém um ótimo convívio com todas as crianças que conhece. “As minhas sobrinhas vão sempre em casa. Ela se dá bem com qualquer criança! As brincadeiras são as mesmas que ela tem comigo. Jogar bola ou correr atrás dela”, conta Juliana.

Cuidando da saúde

Cacau é prova viva de que brincar pode beneficiar a saúde do animal. Quando sua dona descobriu a doença da mestiça, ela tinha apenas 6 meses e nunca havia reclamado de dor. “Para mim, a Cacau não tinha nada! Só achava desengonçado o seu jeito de correr”, diz, contando que a mascote aguentou até 1 ano de idade tomando analgésicos quando demonstrava sinais de dor.

Ao levá-la à clínica veterinária da UNIP, onde foi examinada pelo médico veterinário Benedito Lua Bonfim, especialista em ortopedia e neurologia animal, Juliana descobriu que teria de ser feita uma intervenção cirúrgica.

“No caso da Cacau, foi realizada uma colocefalectomia bilateral em duas etapas com intervalo de um ano, em função do grau severo da doença”, explica Bonfim. Depois de passar por um repouso forçado, a peluda começou a desenvolver um novo treinamento, que a ajudou com o fortalecimento da sua musculatura. “A parte de reabilitação foi feita pelo adestrador Zago e pelo veterinário, que sempre me disseram que a atividade física é importante para ela”, relata Juliana.

Adaptado de Revista Meu Pet Ed. 15

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